terça-feira, 15 de outubro de 2013

O vaso da alma

Por uma semana fiquei imersa na contemplação da natureza: mar, plantas, sol, céu, lua; os sentidos aguçados pelas cores, pelas sensações, pelos aromas...
Afinal a primavera está aí e nos traz muito o que ver, sentir e pensar. Assim, refletindo sobre tudo, me ocorreu que...

Somos todos frágeis vasos
onde uma alma aprendiz habita.
No jardim da vida temos espaço,
ainda que a liberdade seja restrita.
Todavia engana-se quem imagina
haver fora de si o limitante.
Encontra a verdade aquele que atina
com a ideia, para muitos irritante,
de que cada um escolhe seu caminho.

Assim como cada planta
precisa do vaso adequado
e de um lugar determinado,
também a alma aprendiz
escolheu seu tipo de vaso
para crescer, aprender, ser feliz.
Terá seu tempo para florescer,
receberá o sol, a chuva, o vento,
testemunhará tanto o sol raiando
como a lua surgindo ao anoitecer.
Cada açoite, intempérie, luz ou alegria
é simples parte do plano traçado.


Somos todos simples vasos
por árvore, folhagem ou flor ocupados.
Um dia seremos inúteis
e acabaremos por ser descartados,
pois a alma terá se transformado.
Afinal o aprender é a real missão
de toda e qualquer alma,
no longo caminho da evolução.