terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Feridas da alma

O que tua alma veio aqui fazer?
O que tua alma veio aqui aprender?
Estas e semelhantes perguntas
são as que carregas há tempos, pois não?
E quanto mais sobre elas assuntas,
mais te parece estar longe a solução?

Ah, criatura querida do meu coração,
passo por aqui com o intuito da ajuda
e, por isso mesmo, inicio com perguntas.
Continuo, propondo mais uma questão:
- Quando tens um ferimento,
não buscas pôr nele um curativo,
após tê-lo limpado?
E se, por acaso, ele é tocado,
não continua a causar dor,
até que esteja totalmente curado?

Então por que as feridas da alma
teriam processo diferente?
O que quero com isso mostrar-te
é que precisas pôr à parte
as sujidades do que te causa dor.
Depois, com muito cuidado,
aplicar teu calor, teu amor,
até que o ferimento esteja sarado
e possa até ser tocado,
sem que te sintas sequer incomodada.
Ah, e que respeites o ritmo da cura,
cada ferida cicatriza em um tempo;
independente se és gentil ou dura,
cada processo é peculiar.

Tudo isso expus como meio de te contar
que vieste para tua alma curar;
que a cura vem com o aprendizado
de que cada momento deve ser aproveitado
com respeito, com calor, com amor,
até o dia em que a dor,
definitivamente, se for...




 


 
(Pinturas de Théo Van Rysselberghe)