terça-feira, 29 de maio de 2012

Borboleta



Se te invade a dor e a dúvida
e teu peito se aperta tanto;
se já sabes o resultado
por tantas vezes ter experimentado
o mesmo de sempre que te atormenta,
por que voltas e revisitas
tantas lembranças tristes e sombrias?
Será que procuras por pistas,
algo que vá te elucidar
o  porquê do que houve em tua vida,
sobre tudo o que te aconteceu?
Por que não pensas no passado
como algo que acabou, que morreu?
Ainda achas que poderia ter sido diferente,
que poderias ter feito algo ou não 
e que dependia de ti a solução?


Lamento te decepcionar,
não há meio de o tempo voltar.
E mesmo que eu saiba que isto tu sabes,
repito pois o que tu fazes,
é insano, é inexplicável,
o passado é mesmo irremediável.
Sim, por mais que seja clichê,
a verdade é que ele não volta.
Mas também é verdade que, se deixares,
um dia a dor de ti se solta
e te verás livre finalmente.
Então farás tão somente
o que te trará alegria. 

Terás surgido como borboleta,
linda, leve e colorida,
do casulo estreito e apertado
tecido por ti mesma no passado,
para desfrutar bela e plenamente a vida...