sábado, 19 de maio de 2012

Tempo das cruzadas

Como está na apresentação deste blog, meu objetivo é compartilhar minhas reflexões, especialmente aquelas que vêm em versos e, se fizerem sentido para alguém, que possam ser aproveitadas.
Ontem à noite me vinha à cabeça um verso de uma que escrevi em 2010 "...o tempo das cruzadas já passou..."
Não conseguia me lembrar do resto, então procurei e hoje a localizei nos meus arquivos.
Para mim, foi muito forte e importante naquele momento!
E, como veio tão forte em minha mente ontem, me ocorreu que agora é a hora de divulgar ao "universo". E penso que o meu universo é você que me lê...


Se a dor te confrange o coração,
abre-te à possibilidade da consolação.
Tudo o que se quebra pode ser consertado,
mesmo que exiba a marca de colado.
Construíste ao teu redor uma armadura
com o fim de proteger uma alma tão pura,
mas tiveste que enxergar não ser ela suficiente
para te manter inatingível eternamente.
Mesmo armaduras de ferro devem ser despidas
e então revelam o conteúdo existente:
por vezes denso e forte,  por vezes delicado e frágil.

Hoje te sentes atingida no teu ponto mais sensível
e tens dificuldade em te entregar, admitir que sofres.
Permite a ti sentir, admite que o sentido
é a expressão do que te vai no coração:
nada existe que não possa ser curado,
nada existe que não possa ser consertado.
É necessário, entretanto, que seja admitido,
pois o que fica no interior, escondido,
não permite que possa ser sequer olhado.

Admite, primeiro, a ti mesma a dor que sentes,
permite que ela se manifeste em toda a sua plenitude,
mesmo que penses não ser capaz de aguentar,
ou pior, que a negues, dizendo a ti mesma
que não tens motivo para chorar.

És guerreira, filha, mas o tempo das cruzadas já passou,
já não tens mais armaduras de ferro a teu redor.
Não cries armaduras de dor, é pior!
Ao admitir que és frágil e que precisas de ajuda
vários passos terás caminhado em direção à cura.
Entretanto, cabe a ti começar a ti mesma ajudar,
dando o primeiro passo em direção
aos que querem te apoiar.

Talvez já tenhas começado, quando te permitiste chorar
somente ao ler a oração de uma mãe
como tu, por seus filhos a clamar.
Tu pegaste nas mãos deles para ensiná-los a caminhar,
agora que aprenderam, libere-os, solte-os
e fique com tuas mãos livres para as nossas segurar.
Tu és, para nós, a criança que está aprendendo a andar!
Isto é tão verdade que as lágrimas vêm a teus olhos assomar;
deixe-as cair, fluir, estão tua alma a lavar...